CUNA DE LOBOS (AMBIÇÃO)

Catalina Creel

Quem viveu nas décadas de 80/90 certamente deve ter ficado com medo dela, uma senhora que utilizava um tapa-olho da mesma cor e tecido de sua roupa. Com seu olhar sério, frio, Catalina Creel (Maria Rúbio) foi imortalizada como à rainha das vilãs.

Confira a homenagem realizada no TeleDossiê  sobre “Cuna de Lobos”, novela mexicana produzia em 1986 pela Televisa, exibida no SBT com o título de “Ambição” em 1990. Um marco na teledramaturgia mundial.

Disponível na íntegra no TeleDossiê.

Texto1: Cuna de Lobos (Ambição): Revelando a história da alcateia.

Texto2: Cuna de Lobos (Ambição): Um melodrama comum.

Texto3: Cuna de Lobos (Ambição): Catalina Creel: Antecessora de Paola Bracho.

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ESQUENTA!

ESQUENTA.

Não é de hoje que comento que o Esquenta!, programa de auditório apresentado por Regina Casé na grade dominical da TV Globo é um dos melhores programas da TV brasileira. Desde sua estreia em 2011, até sua terceira temporada que começou em dezembro de 2012, o programa revolucionou, inovou e caiu no gosto popular.

esquenta_04Regina é carismática no vídeo, possui apelo popular e sabe se comunicar como ninguém, mesmo quando apresenta seu bairrismo  pelo Rio de Janeiro, ou aquele amor à Bahia de dar inveja a qualquer outro estado brasileiro. É sua marca. É sua personalidade. Ame-a ou deixa-a!

Quando digo que o Esquenta! revolucionou, não estou falando da bandeira da inclusão levantada por Regina nas várias edições do programa, tampouco pela insistência dos ritmos musicais levados ao ar: samba, pagode e funk. Revolucionou por trazer um auditório mais vivo, mais cheio de cores. Uma interação, guardada as devidas proporções, ao que o “Velho Guerreiro Chacrinha” fazia em seu programa. “Tudo junto e misturado”

esquenta_03Quem assiste aos domingos as 1h15/1h35 de duração do programa, intercalados entre comerciais e conteúdo, não imagina que existe cerca de 6/8 horas de gravação. A edição que nas suas primeiras temporadas era, na opinião deste blogueiro, o ponto que precisava melhorar no programa, já se encontra mais afinada, cometendo menos erros, se tornando mais suave e evitando àquela passagem brusca de um assunto para o outro.

É o pobre, o rico, o negro, o branco, a periguete, a travesti, o gay, a gordinha, a magrinha, a patricinha da Zona Sul, o intelectual, o sertanejo, o surfista, enfim, todo mundo tem espaço no “Esquenta!”. É a festa que não possui um dono, um estilo definido e que os convidados são os mais variados, que todo mundo se entende, se diverte e sai querendo mais. É uma bagunça organizada, com roteiro pré-definido e muito improviso. O inusitado e o não programado caminham harmonicamente com o roteiro. Viva as longas horas de gravação, o roteiro e a edição, mas principalmente viva a apresentadora e seu convidados fenomenais.

ESQUENTA2.

Esquenta! Também não faz assistencialismo, não promete uma revolução, mas já a faz integrando e divertindo. “O que a gente prega é a tolerância”, disse Regina na estreia da terceira temporada. Essa tolerância, essa união transforma o Esquenta! no melhor programa de domingo e que a cada temporada conquista mais fãs e mais espaço dentro da grade de programação da Globo.

Como o programa não é feito somente da apresentadora, conheça toda galera que trabalha, que curte e que faz o programa acontecer. O Esquenta! é a prova que experimentação e ousadia podem dar certo. Interessante ver isso na líder de audiência, enquanto as concorrência acaba por repetir “mais do mesmo”.

Fernando Dibb

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JOSÉ DO EGITO E A FASE MAIS MADURA DA RECORD.

José do Egito

Estreou ontem na tela da Record, “José do Egito” a mais nova minissérie bíblica produzia pela emissora e a mais audaciosa produção em dramaturgia até o momento. Com um custo divulgado na casa dos 23 milhões de reais (cada capítulo custando 850 mil reais), José do Egito surpreendeu. Apresentou uma produção mais madura. Locações, cenários e fotografias impecáveis. Se comparado à “História de Ester” (2010), primeira trama da emissora no gênero e “Rei Davi” exibida no ano passado, o salto de qualidade é impressionante.

José-do-EgitoCom direção de Alexandre Avancini a trama usou e abusou dos movimentos de câmera, acerta nos filtros e na iluminação, conduz com maestria a grua e o travelling e por isso prende o espectador.

Contrastando com a qualidade técnica, o texto e a atuação dos atores parecem não afinal com o restante da produção. A autora Vivian de Oliveira optou por uma linguagem mais coloquial, o que é um ponto positivo, porém os diálogo estão muito explicativos, didáticos, caindo na redundância e o que de certa comprometeu a performance dos atores. Ficou o meio termo entre o teatral e o natural, o que possa vir a evoluir ao longo dos capítulos.

Outra decisão acertada da Record foi à exibição – pelo menos a princípio – de capítulos somente às quartas-feiras, dia em que “Salve Jorge”, novela das 21h da Rede Globo, é mais curta em razão das transmissões de futebol. Uma estratégia diferente da adotada anteriormente que prejudicou as produções e a grade de programação da casa. Quem não se lembra das constantes mudanças de horário, duração e do número de reprises que atingiram Rei Davi e outras atrações da emissora. Comprometendo a audiência e o comercial da emissora.

José do EgitoO capitulo de estreia alcançou a segunda colocação na audiência, marcando 13 pontos de média na grande São Paulo, ficando atrás somente da TV Globo que obteve 19 pontos com a transmissão de futebol.  José do Egito, embora seja baseada na Bíblia passou longe de um texto evangelizador, o que poderá atrair e muito à atenção do mais diversificado tipo de espectador.

Fernando Dibb

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2013: NOSSA PRÓXIMA ATRAÇÃO!

Feliz 2013: a nossa próxima atração!

Que 2013 venha com muito mais emoção dentro e fora da telinha! Que nossas vidas estejam repletas de luz e que acima de tudo sejamos felizes no novo ano!

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AVENIDA BRASIL: UMA DIVINA PRODUÇÃO!

Finalmente poderemos dormir em paz! Acabou Avenida Brasil. O sono tranquilo valerá para a grande maioria dos brasileiros, telespectadores da novela ou não, apreciadores ou não da história da jovem Rita, órfã abandonada no lixão por sua madrasta Carmen Lúcia, após a morte de seu pai Genésio, vítima de um golpe para levar todo (e pouco) dinheiro da família.

Foram oito meses, 179 capítulos exibidos de segunda a sábado que prenderam o país como há um bom tempo não se via na televisão. O final, exibido em 19 de outubro de 2012, atingiu na capital paulista 52 pontos de audiência e 72% de share. Foi assunto na mídia internacional. Faturou cerca de R$ 2 bilhões, sendo considerado o maior faturamento já alcançado na América Latina, segundo a revista norte-americana FORBES.

A audiência final bateu suas antecessoras Fina Estampa (47) e Insensato Coração (47), ficando atrás de Caminho das Índias (55) e Passione (52). Avenida Brasil supera todas as telenovelas quando o assunto é faturamento e também repercussão. Foi notícia nos telejornais da casa, ganhando até especial no Globo Repórter. Nos programas de variedade, todos tiraram proveito da história de João Emanuel Carneiro e nas redes sociais não havia um dia que não existia um comentário, charges e compartilhamentos a respeito da novela.

Avenida Brasil é prova de que uma boa história, bom elenco, equipes de produção e direção impecáveis fazem um excelente produto televisivo voltado para todas as classes sociais. Cai por terra o “discurso” de que os produtos para “nova classe-C” são diferentes dos consumidos pelas classes A/B, com conteúdos beirando a economia, numa linguagem simples e com pouca densidade. Houve crítica social, houve deboche, mas acima de tudo um fiel retrato da relação e pensamentos de ricos e pobres, emergentes e nobres, suburbanos ou não.

Inovou na estética, na iluminação, na edição. Não apresentou barriga e todos os ganhos sejam para os intervalos ou capítulos seguintes são provas de uma excelente narrativa. O maior mérito de Avenida Brasil está, não por apresentar um elenco reduzido, mas por dar brilho, vez e voz a todos os artistas, colocando em pé de igualdade as empregada da mansão, perua da zona sul, a patricinha apaixonada, o ex-jogador gari, a cabeleireira periguete do salão, o locutor de promoções de loja e outros personagens que ficarão na memória do bairro do Divino.

Na trama em que a vingança era o principal fio condutor e que o amor entre casais foi deixado em segundo plano, Avenida Brasil também quebrou com o maniqueísmo existente nas histórias que estamos acostumados, jogou com o sentimento do telespectador ao despertar amor e ódio pela mocinha e vilã, em diferentes momentos da história e até mesmo durante o mesmo capítulo. Retratou o ser humano, o brasileiro, como ele é, mesmo que em alguns momentos tenha utilizado cores fortes.

O capítulo final foi marcado por coerência. Contrariando fãs mais exaltados e os fervorosos críticos de plantão. O tão conhecido “quem matou” passou despercebido e serviu apenas para finalizar a construção das personagens vindas do Lixão. A vilã não ficou louca, tampouco permaneceu com seu comportamento arrogante e debochado. Não virou mártir nem heroína. Pagou pelo que cometeu e voltava para prestar contas com o seu passado: o lixão, a Lucinda, Nina e Jorginho. Como mensagem final o perdão acima da vingança, mesmo que as feridas estejam abertas e talvez demorem muito tempo a se cicatrizar. Um desfecho maduro para personagens tão densos. Já está na história da televisão brasileira e no coração de muitos telespectadores. A saudade já é presente.

Fernando Dibb


VEJA TAMBÉM:

A CADEIA DRAMÁTICA DE AV. BRASIL: DA DESCOBERTA A REVIRAVOLTA.

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BAMBALALÃO: APRENDER É DIVERTIMENTO!

Em homenagem ao dia das crianças, o Blog Televisão faz uma homenagem a um dos principais programas infantis da televisão brasileira, o Bambalalão, exibido pela TV Cultura de São Paulo entre 1977 e 1990.

Gigi Anhelli apresentadora do programa.Com uma hora de duração, o programa entrou na grade da TV Cultura de maneira despretensiosa, era voltado para crianças de 5 a 10 anos, tendo como proposta transmitir educação informal pela televisão, através da música, teatro de bonecos e histórias.

Gigi Anheli era a linda apresentadora, fazia a ponte entre os quadros dos programas, lia carta dos pequenos espectadores e contava histórias e interagia com os bonecos. Ao seu lado estavam o Palhaço Tic-Tac e Memélia de Carvalho, manipuladora dos simpáticos bonecos Macaco Chiquinho, Maria Balinha e João Balão.

O programa ganhou a participação de crianças no auditório e logo depois passou a ser exibido ao vivo (1982), em um período em que praticamente todo programa de TV era gravado antes de ir ao ar. Primeiro uma, depois duas, três horas de exibição. Tudo ao vivo pela manhã e reprisado à tarde. Com o aumento das horas diárias, novos integrantes foram compondo a equipe do Bamba: Professor Poropopó (Chiquinho Brandão), Bambalarino (Carlinhos Barreto), Silvana Texeira que se veio para cobrir as férias de Gigi e se acabou se juntando à turma, Helen Hélène, que contava histórias a partir de qualquer coisa, João Acaíbe, Gerson de Abreu, Fernando Gomes, Palhaço Pam Pam, Palhaço Perereca e tantos outros artistas de talento.

Bambalalão (1982)De linguagem simples, educativa e sem apelo comercial. Um grande circo baseado no improviso e no talento de seus artistas. O programa não possuía roteiro, apenas um espelho do conteúdo a ser exibido. Somente as histórias contadas por Gigi, criadas/adaptadas por Rosana Rios e Januária Cristina e contracenadas pelo elenco é que possuíam um script e mesmo assim o improviso era algo natural para o time de profissionais.

Bambalalão, voltado ao publico infantil atraia atenção dos adultos também. Adolescentes, jovens, pais e avós também se interessavam pela atração. O quadro Bambaleão, contracenado pelo boneco homônimo com a atriz Silvana Teixeira, de tanto sucesso, se transformou em programete exibido ao longo da programação da TV Cultura.

Silvana e Bambaleão, sucesso que virou programeteEnquanto esteve no ar, Bambalalão foi dirigido por Marcelo Amadei, Ademar Guerra, Antonio Abujanra, Arlindo Pereira, Memélia de Carvalho, Roberto Machado, Roberto Miller, Waldemar Jorge e Zita Bressane. Ganhou o prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) de Melhor Programa Infantil nos anos de 1982, 1984, 1985, 1986 e 1987. Saiu do ar em fevereiro de 1990, marcando pra sempre o imaginário de crianças e adultos da época, além de ter feito escola para os profissionais e os programa infantis que vieram a aparecer.

Fernando Dibb

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A TELEVISÃO NOSSA DE CADA DIA: 62 ANOS DE TV NO BRASIL.

Em 18 de setembro a televisão comemora 62 anos de existência no Brasil. Data em que é inaugurada oficialmente a PRF3-TV Tupi Difusora. Primeira emissora da América do Sul, de propriedade de Assis Chateaubriand, (1992-1968) dono dos Diários Associados, o maior conglomerado midiático, dono de jornais, revistas e emissoras de rádio daquele período.

Assis Chateaubriand discursando na TV Tupi.

Assis Chateaubriand, discursando na TV Tupi.

De elitista e cara no primeiro momento para popular e de massa aos dias atuais. A televisão fez-se importante no cotidiano brasileiro ao longo de seu desenvolvimento  e da mudança no cenário político-econômico do país. O Brasil abandona, desde Getúlio Vargas, a política agrário-exportadora e inicia o desenvolvimento urbano-industrial. É entre 1945 a 1960 que ocorre o crescimento das cidades, criando um ambiente favorável a televisão.

Tarcísio Meira e Gloria Menezes, protagonistas de 25499 Ocupado, primeira novela diária, produzida pela TV Excelsior.

25499-Ocupado, a primeira novela diária (TV Excelsior 1963)

A programação começou local, ao vivo e sem planejamento para o dia seguinte. Noções de tempo e comercial vieram depois. Surge a concorrência e com ela mais desafios, mais ousadia e mais criatividade. Emissoras do mesmo grupo acionário, porém em praças diferentes também rivalizam entre si. O videoteipe surge na década de 60 e traz com ele a possibilidade de exibição em outras praças. Chico Anysio (1931-2012) fez a “mágica” de contracenar com ele mesmo. Nasce a telenovela diária, a grade de programação horizontal e a popularização e incentivo do governo federal na aquisição do aparelho televisor.

Primeiro logotipo da Rede Globo no conceito de rede.

Surgem as micro-ondas e posteriormente os satélites, concretizando assim a criação das redes de televisão (1975/1985).  A programação local em várias praças é levada à extinção e em outras, quando existente, não possuem o horário de prestígio destinado às atrações produzidas no eixo Rio-São Paulo. A televisão em cores torna-se a “cereja do bolo” para o modelo de desenvolvimento adotado pelo Estado Brasileiro. É o período de audiências de 70, 80, 90 por cento. É quando o último capítulo da novela interrompe todo o país, em uma final mais importante do que um mundial de futebol.

É o período também em que emissoras são caçadas, compradas, arrendadas e extintas. É quando a despedida é o último sinal da transmissão.

Ao longo de 62 anos a televisão levou emoção, informação e também indignação. É ainda o veículo mais assistido e consumido pela população. É responsável por gerar assunto, integrar territórios e promover cultura. Causa comoção, dita moda, condena e vangloria pessoas.

Com o sinal digital é depositado nele esperanças de uma televisão mais participativa, plural e que promova a cidadania, a educação e inclusão digital. Os futuros aplicativos poderão abrir um universo de informação próximo ao de um computador com internet. Os canais serão multiplicados através compressão dos sinais. A imagem e o som são de qualidades impecáveis, a recepção é móvel e velho “bombrill” foi aposentado.

Luis Gustavo e Bete Mendes em Beto Rockfeller, novela da TV Tupi (1968).

Luis Gustavo e Bete Mendes em Beto Rockfeller, novela da TV Tupi (1968). Considerada como a virada nas telenovelas, pois marca o fim da trama romântica para temas do cotidiano brasileiro.

Nessa pequena viagem ao longo dos 62 anos de história é interessante ressaltar que a televisão só existe em função de seu conteúdo produzido. É no programa de TV que a emoção se faz presente e os canais possuem história para contar.

Criatividade e ousadia são (e foram) requisitos essenciais para a manutenção do brilho e do fascínio que o veículo possui e para a continuidade de suas operações. A tecnologia é determinante assim como a audiência de uma estação de TV, mas sem inovação, experimentação e o intercâmbio entre profissionais novos e experientes de dentro e de fora do meio televisivo a TV perderá sua posição no mercado.

É necessário também que a televisão tenha noção de sua responsabilidade social e que se preocupe sempre em elevar o nível de suas atrações, levando informação, prestação de serviço e entretenimento para população, não insistindo na sublocação de seus espaços e valorizando seus profissionais. A partir destes princípios nossa televisão terá muita história pra contar e continuará Livre, aberta e gratuita. Desde sua estreia, até os dias atuais.

Fernando Dibb

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