O REENCONTRO COM O CAMPEÃO

O Campeão de Audiência 2ª ediçãoApós cerca de 15 anos de nosso primeiro encontro, tive o prazer de ler novamente as “memórias” de Walter Clark (1936/1997). A figura emblemática eu já conhecia antes disso. Recordo de minha mãe comentando algo sobre ele.  Não serei preciso, mas provavelmente não tinha mais que 11 anos de idade. O interesse pela televisão já existia. O que fiz naquele momento? Apenas guardei seu nome.

Conheci a biografia “O Campeão de Audiência” entre 1999/2000, matando meu tempo dentro da biblioteca da Unesp. Cursava Rádio e TV no período e tal foi o fascínio que transformei a obra em livro de cabeceira pelos três/quatro anos que estive na academia. As narrativas de Walter Clark à Gabriel Priolli em 1991, além de ser um relato vivo da televisão brasileira, vinham carregadas de muita emoção – característicos do biografado, afinal Walter foi durante um bom tempo uma figura ímpar e sua vida pública e privada cercavam o imaginário de muitos que estavam envolvidos com televisão.

Walter, Roberto Marinho e Joe Walach na TV Globo

Na época não consegui obter uma versão do livro: sua edição estava esgotada. Minhas renovações eram constantes na biblioteca da faculdade, até que fiz a cópia integral do texto (embora sempre tenha sido contra a cópia de livros). A encadernação permaneceu comigo até que finalmente o reencontro aconteceu. Em uma navegação despretensiosa na livraria virtual, eis que me aparece como sugestão de compra. De imediato o fiz. Talvez para livrar minha consciência da cópia que havia realizado no passado. Talvez um chamado, um novo convite a leitura daquele texto que mexeu tanto comigo entre os 17/21 anos.

Abri o livro de forma aleatória e comecei a ler as versões do Walter para a sua vida. Duas coisas me impressionaram: a primeira delas de eu recordar várias das passagens que Walter Clark relatava e com riqueza de detalhes; a segunda, ver que suas passagens até hoje ratificavam o meu objeto de estudo dentro da academia e também fora dela. A televisão era, é e porque não dizer será o veículo pelo qual meus olhos ainda brilham.

jose-bonifacio-de-oliveira-sobrinho-o-boni-e-walter-clark-em-foto-de-1969-1427826943459_615x300Romantismo à parte, tanto meus como os dos relatos de Walter Clark, ainda o tenho como modelo de executivo de televisão que um dia desejei ser. Sua história é apaixonante, mas mais do que isso, todo o seu feito em suas empreitadas pela televisão. Como sempre, nada foi realizado sozinho. A oportunidade apareceu, Walter agarrou e com a força e ímpeto da juventude se cercou de boas e bons. Assim fez a televisão que temos hoje. Como todo humano, também se cercou de ego, inveja e deslumbramento e foi protagonista e vítima dos acontecimentos seguintes em sua vida. Fez história.

walter1O livro ganhou novamente a posição estratégica de cabeceira. Além dos olhos para os acontecimentos técnicos que construíram a televisão, faço também paralelos de sua vida pessoal e sua postura profissional. Continua sendo um velho amigo, porém agora, com o passar de alguns anos, o vejo com um novo olhar. O reencontro apenas começou.

Para quem estuda, trabalha ou apenas é um curioso em televisão, a biografia de Walter Clark é leitura mais que obrigatória. Cada momento narrado é uma aula a parte. Quem não conhece, deve conhecer.

Sobre Walter Clark

Walter Clark Bueno, ou somente Walter Clark, nasceu em São Paulo, no dia 14 de julho de 1936, mas mudou-se aos seis anos de idade para a capital carioca, onde começou a trabalhar aos 16 anos de idade, na Rádio Tamoio, de propriedade de Assis Chateaubriand. Lá ele desempenhou as funções de secretário e auxiliar do radialista Luís Quirino.

Aos 20 anos foi contratado pela TV Rio (1956), primeiro como assessor comercial, passando por diversos cargos até chegar a diretor executivo, ficando na emissora por dez anos. Em 1965 foi convidado para assumir a direção executiva da TV Globo, com a finalidade de reestruturar a área comercial da jovem emissora e reformular a programação.

Walter Clark trouxe para a Globo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, com quem Clark havia trabalhado na TV Rio. Relação harmoniosa, no princípio, a dupla estabeleceu um jornal (o Jornal Nacional) entre duas novelas, um sucesso na grade da emissora, contando também com o trabalho de Armando Nogueira, um dos mentores do telejornal até hoje no ar.

Sob sua administração e com a parceria com Boni, outros sucessos da emissora foram criados, tais como o “Fantástico”, “Globo Repórter” e “Globo de Ouro”, este último na esteira do “Festival Internacional da Canção”, que teve sua primeira edição em 1967. O nome de Walter Clark ficou tão forte na Globo que chegou a superar até o de Roberto Marinho, o que acabou tornando o relacionamento entre os dois conflituoso.

A saída de Clark da Globo aconteceu em 1977. Depois da marcante passagem pela emissora, atuou como produtor de cinema, em filmes que tiveram boa repercussão, como “A Estrela Sobe”, “Bye Bye Brasil” e “Eu Te Amo”, entre outros. Em 1981 foi diretor-geral da Rede Bandeirantes, permanecendo na emissora paulista do Morumbi apenas por um ano. Voltou à TV Rio em 1988 e escreveu sua autobiografia com o jornalista Gabriel Priolli, intitulada “O Campeão de Audiência”, publicada em 1991.

Foi também vice-presidente do Flamengo e presidente da Fundação Roquete Pinto, entre 1991 e 1992. Morreu em seu apartamento no Rio de Janeiro, em 24 de março de 1997, aos 63 anos, vítima de insuficiência cardíaca e respiratória.

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