MTV BRASIL: A GRINGA BRASILEIRA (Parte 2)

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Criando Identidade!

MTV UHFCom 14 horas diárias de programação, o conteúdo da MTV Brasil, em seu primeiro ano de estreia, era composto por 25% de produção própria e 75% importado da matriz americana. A maioria dos 150 videoclipes exibidos diariamente era estrangeira, não só pela diretriz da Viacom, mas também pela escassez de videoclipes nacionais.

A emissora surge numa era analógica, num país recém democratizado, após 25 anos de censura e controle do conteúdo meios de comunicação de massa. Pela primeira vez, embora já existissem experiências com alguns programas de TV e as emissoras de rádio FM, o jovem teria um espaço, uma programação e conteúdo e anunciantes exclusivamente voltados para o seu segmento.

Gastao MTVQuando a MTV entrou no ar, ela estava num campo total de experimentação. Esse laboratório de linguagem é que foi o grande diferencial do canal. Ela era livre, independente e não estava atrelada a uma grande estrutura ou formato, embora ela fosse uma franquia americana.

A MTV falava diretamente por e para o jovem. A música era esse objeto de identificação e de aproximação do público, porém ela não era despejada simplesmente como uma enorme playlist na programação. Existia uma preocupação de informar bem o jovem sobre o som que ele estava escutando. Sua estética visual também era muito diferente, principalmente se comparada aos outros canais abertos.

A importância do videoclipe para a música foi à criação de uma identidade com seus ouvintes/fãs. Quem escutava a música, também poderia acompanhar como seu artista favorito se vestia, penteava, se comportava. O videoclipe possibilitou a divulgação de um estilo de vida, de uma cultura, de uma mensagem passada além das letras e dos acordes.

zecaA entrada da MTV no Brasil foi tão importante para o músico quanto o lançamento de um disco. Seu surgimento no Brasil foi responsável por uma “libertação estética” dos videoclipes que na época, sofriam uma atrelagem estética, sujeita à aprovação dos programas e canais de televisão que eles seriam apresentados. A partir daquele momento o videoclipe era uma “livre expressão” de seus artistas e gravadoras.

Na direção da MTV passaram Fátima Ali, Jimmy Leroy, José Wilson Fonseca, Rogério Gallo, Titi Civita, Andre Mantovani, Marcelo Machado, Jorge Espírito Santo, Zico Goes, entre outros profissionais que tiveram em comum a constante busca do que se fazer na MTV. Tudo que existia até aquele momento sobre televisão não era MTV.

maria_paulaMTVEssa busca pelo novo, o experimento, os erros e acertos na estrutura da MTV não denegriram sua imagem, muito pelo contrário, acrescentaram, mas tornaram o canal escravo de si mesmo. Outro fator diferencial que a MTV Brasil, ao contrário de suas irmãs mundiais, era aberta e vez e outra sofria influência do modelo de negócio que estava inserida.

>>> continua.

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