A TELEVISÃO NOSSA DE CADA DIA: 62 ANOS DE TV NO BRASIL.

Em 18 de setembro a televisão comemora 62 anos de existência no Brasil. Data em que é inaugurada oficialmente a PRF3-TV Tupi Difusora. Primeira emissora da América do Sul, de propriedade de Assis Chateaubriand, (1992-1968) dono dos Diários Associados, o maior conglomerado midiático, dono de jornais, revistas e emissoras de rádio daquele período.

Assis Chateaubriand discursando na TV Tupi.

Assis Chateaubriand, discursando na TV Tupi.

De elitista e cara no primeiro momento para popular e de massa aos dias atuais. A televisão fez-se importante no cotidiano brasileiro ao longo de seu desenvolvimento  e da mudança no cenário político-econômico do país. O Brasil abandona, desde Getúlio Vargas, a política agrário-exportadora e inicia o desenvolvimento urbano-industrial. É entre 1945 a 1960 que ocorre o crescimento das cidades, criando um ambiente favorável a televisão.

Tarcísio Meira e Gloria Menezes, protagonistas de 25499 Ocupado, primeira novela diária, produzida pela TV Excelsior.

25499-Ocupado, a primeira novela diária (TV Excelsior 1963)

A programação começou local, ao vivo e sem planejamento para o dia seguinte. Noções de tempo e comercial vieram depois. Surge a concorrência e com ela mais desafios, mais ousadia e mais criatividade. Emissoras do mesmo grupo acionário, porém em praças diferentes também rivalizam entre si. O videoteipe surge na década de 60 e traz com ele a possibilidade de exibição em outras praças. Chico Anysio (1931-2012) fez a “mágica” de contracenar com ele mesmo. Nasce a telenovela diária, a grade de programação horizontal e a popularização e incentivo do governo federal na aquisição do aparelho televisor.

Primeiro logotipo da Rede Globo no conceito de rede.

Surgem as micro-ondas e posteriormente os satélites, concretizando assim a criação das redes de televisão (1975/1985).  A programação local em várias praças é levada à extinção e em outras, quando existente, não possuem o horário de prestígio destinado às atrações produzidas no eixo Rio-São Paulo. A televisão em cores torna-se a “cereja do bolo” para o modelo de desenvolvimento adotado pelo Estado Brasileiro. É o período de audiências de 70, 80, 90 por cento. É quando o último capítulo da novela interrompe todo o país, em uma final mais importante do que um mundial de futebol.

É o período também em que emissoras são caçadas, compradas, arrendadas e extintas. É quando a despedida é o último sinal da transmissão.

Ao longo de 62 anos a televisão levou emoção, informação e também indignação. É ainda o veículo mais assistido e consumido pela população. É responsável por gerar assunto, integrar territórios e promover cultura. Causa comoção, dita moda, condena e vangloria pessoas.

Com o sinal digital é depositado nele esperanças de uma televisão mais participativa, plural e que promova a cidadania, a educação e inclusão digital. Os futuros aplicativos poderão abrir um universo de informação próximo ao de um computador com internet. Os canais serão multiplicados através compressão dos sinais. A imagem e o som são de qualidades impecáveis, a recepção é móvel e velho “bombrill” foi aposentado.

Luis Gustavo e Bete Mendes em Beto Rockfeller, novela da TV Tupi (1968).

Luis Gustavo e Bete Mendes em Beto Rockfeller, novela da TV Tupi (1968). Considerada como a virada nas telenovelas, pois marca o fim da trama romântica para temas do cotidiano brasileiro.

Nessa pequena viagem ao longo dos 62 anos de história é interessante ressaltar que a televisão só existe em função de seu conteúdo produzido. É no programa de TV que a emoção se faz presente e os canais possuem história para contar.

Criatividade e ousadia são (e foram) requisitos essenciais para a manutenção do brilho e do fascínio que o veículo possui e para a continuidade de suas operações. A tecnologia é determinante assim como a audiência de uma estação de TV, mas sem inovação, experimentação e o intercâmbio entre profissionais novos e experientes de dentro e de fora do meio televisivo a TV perderá sua posição no mercado.

É necessário também que a televisão tenha noção de sua responsabilidade social e que se preocupe sempre em elevar o nível de suas atrações, levando informação, prestação de serviço e entretenimento para população, não insistindo na sublocação de seus espaços e valorizando seus profissionais. A partir destes princípios nossa televisão terá muita história pra contar e continuará Livre, aberta e gratuita. Desde sua estreia, até os dias atuais.

Fernando Dibb

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