O QUE (NÃO) APRENDEMOS COM A GRADE DE PROGRAMAÇÃO?

O sucesso na estreia de “Carrossel” no SBT aliado à retomada da Band à programação noturna através do programa “Quem Fica em Pé” trouxe, como já divulgado na imprensa, uma queda na audiência na programação noturna da Rede Record que vê em suas atrações um fraco retorno de audiência, compro-metendo a vice liderança.

O curioso no caso do SBT é que a audiência vinda de Carrossel, na média geral não retirou público de outras emissoras[1], mas sim agregou um público que naquele horário estava com os aparelhos de televisão desligados, ou sintonizados em canais da por assinatura. Levando em consideração o público da nova telenovela do SBT é provável acreditar que a criançada deixou de lado os canais infantis ou o videogame para assistir Carrossel.

Acredita-se que atenção da Record está mais focada na concorrência e não ao que ela está oferecendo e como seu produto vem chegando aos espectadores. Alterações em sua grande são constantes. Mudanças de horário, prolongamento da duração das atrações e programas calhau tem sido frequentes na grade da emissora. A minissérie “Rei Davi” e a série “Fora de Controle” são os exemplos mais recentes de descaso com os conceitos de horizontalidade e verticalidade da programação, alterando horários, dias de semana, antecipação e/ou prolongamento das semanas de exibição, dificultando todo e qualquer acompanhamento do telespectador.

Toda essa movimentação de números trás a atenção não somente aos êxitos/fracassos dos programas, mas a relação do espectador com a grade de programação. Ela (a grade) permanece regendo a estrutura da audiência e não é de se estranhar que produtos bons possam ser desprezados do público em razão do mal desempenho do programa anterior ou na escolha equivocada do horário de exibição. A condução da programação ao sabor da concorrente também compromete a estrutura dos programas, principalmente das novelas, cujo os capítulos e seus ganchos, são criados pelo autor e são “destruídos” durante a exibição de acordo com o encerramento ou prolongamento de outro programa na emissora concorrente.

Competir com o hábito de assistir a Rede Globo e sua grade de programação solidificada desde o final dos anos 70, fortalecida até hoje sem praticamente nenhuma alteração também dificulta uma estratégia por partes das concorrentes que se vem obrigadas a apresentar seus produtos principais antes ou depois de algum programa, principalmente a novela das oito (hoje das nove)

Nos próximos dias “A Fazenda” estreia sua nova temporada e já promete nova alteração na programação da Rede Record pois será exibida por volta das 22h15[2], após “Poder Paralelo”, reprise de novela que seguirá sendo controlada pela duração de “Avenida Brasil”, na Rede Globo. “Máscaras” será exibida na sequencia, na expectativa que o reality show possa recuperar o fraco desempenho do folhetim. Essa mudança seguirá de outra, tão logo dê início a exibição dos “Jogos Olímpicos 2012”, evento que a Rede Record possui exclusividade e terá de recuperar financeiramente e em audiência todo o investimento obtido.

É interessante notar que na disputa pela audiência as emissoras de televisão no Brasil não fizeram o principal: a construção de uma audiência a partir de sua grade de programação. Estratégia que não é segredo e sequer novidade quando se fala em televisão. Desenvolvida nos Estados Unidos, berço da televisão comercial, adotada no Brasil primeiramente pela TV Excelsior na concorrência com a TV Tupi, aperfeiçoada e solidificada pela Rede Globo até os dias atuais.

Fernando Dibb


[1] CASTRO, Daniel. “Carrossel tira ibope de games a aumenta as tvs ligadas”. Disponível em: http://noticias.r7.com/blogs/daniel-castro/2012/05/24/carrossel-tira-criancas-de-videogame-e-aumenta-tvs-ligadas/. Acessado em 25/05/2012.
[2] CASTRO, Daniel. “Máscaras vai investir em ação”. Disponível em: http://noticias.r7.com/blogs/daniel-castro/2012/05/25/mascaras-vai-investir-em-acao/ Acessado em 27/05/2012.
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2 respostas para O QUE (NÃO) APRENDEMOS COM A GRADE DE PROGRAMAÇÃO?

  1. @neyzinmarcel disse:

    Mostra o grande potencial q o sbt tem escondido em algum lugar

    • Olá Marcel, obrigado por participar do BlogTelevisando.

      Potencial o SBT possui, assim como carisma. Não há emissora mais carismática, muito claro, pelo próprio dono. Resta utilizar tudo isso em uma política mais agressiva comercialmente e em produtos de sucesso e pensar a grade de programação como um todo.

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