O REENCONTRO COM O CAMPEÃO

O Campeão de Audiência 2ª ediçãoApós cerca de 15 anos de nosso primeiro encontro, tive o prazer de ler novamente as “memórias” de Walter Clark (1936/1997). A figura emblemática eu já conhecia antes disso. Recordo de minha mãe comentando algo sobre ele.  Não serei preciso, mas provavelmente não tinha mais que 11 anos de idade. O interesse pela televisão já existia. O que fiz naquele momento? Apenas guardei seu nome.

Conheci a biografia “O Campeão de Audiência” entre 1999/2000, matando meu tempo dentro da biblioteca da Unesp. Cursava Rádio e TV no período e tal foi o fascínio que transformei a obra em livro de cabeceira pelos três/quatro anos que estive na academia. As narrativas de Walter Clark à Gabriel Priolli em 1991, além de ser um relato vivo da televisão brasileira, vinham carregadas de muita emoção – característicos do biografado, afinal Walter foi durante um bom tempo uma figura ímpar e sua vida pública e privada cercavam o imaginário de muitos que estavam envolvidos com televisão.

Walter, Roberto Marinho e Joe Walach na TV Globo

Na época não consegui obter uma versão do livro: sua edição estava esgotada. Minhas renovações eram constantes na biblioteca da faculdade, até que fiz a cópia integral do texto (embora sempre tenha sido contra a cópia de livros). A encadernação permaneceu comigo até que finalmente o reencontro aconteceu. Em uma navegação despretensiosa na livraria virtual, eis que me aparece como sugestão de compra. De imediato o fiz. Talvez para livrar minha consciência da cópia que havia realizado no passado. Talvez um chamado, um novo convite a leitura daquele texto que mexeu tanto comigo entre os 17/21 anos.

Abri o livro de forma aleatória e comecei a ler as versões do Walter para a sua vida. Duas coisas me impressionaram: a primeira delas de eu recordar várias das passagens que Walter Clark relatava e com riqueza de detalhes; a segunda, ver que suas passagens até hoje ratificavam o meu objeto de estudo dentro da academia e também fora dela. A televisão era, é e porque não dizer será o veículo pelo qual meus olhos ainda brilham.

jose-bonifacio-de-oliveira-sobrinho-o-boni-e-walter-clark-em-foto-de-1969-1427826943459_615x300Romantismo à parte, tanto meus como os dos relatos de Walter Clark, ainda o tenho como modelo de executivo de televisão que um dia desejei ser. Sua história é apaixonante, mas mais do que isso, todo o seu feito em suas empreitadas pela televisão. Como sempre, nada foi realizado sozinho. A oportunidade apareceu, Walter agarrou e com a força e ímpeto da juventude se cercou de boas e bons. Assim fez a televisão que temos hoje. Como todo humano, também se cercou de ego, inveja e deslumbramento e foi protagonista e vítima dos acontecimentos seguintes em sua vida. Fez história.

walter1O livro ganhou novamente a posição estratégica de cabeceira. Além dos olhos para os acontecimentos técnicos que construíram a televisão, faço também paralelos de sua vida pessoal e sua postura profissional. Continua sendo um velho amigo, porém agora, com o passar de alguns anos, o vejo com um novo olhar. O reencontro apenas começou.

Para quem estuda, trabalha ou apenas é um curioso em televisão, a biografia de Walter Clark é leitura mais que obrigatória. Cada momento narrado é uma aula a parte. Quem não conhece, deve conhecer.

Sobre Walter Clark

Walter Clark Bueno, ou somente Walter Clark, nasceu em São Paulo, no dia 14 de julho de 1936, mas mudou-se aos seis anos de idade para a capital carioca, onde começou a trabalhar aos 16 anos de idade, na Rádio Tamoio, de propriedade de Assis Chateaubriand. Lá ele desempenhou as funções de secretário e auxiliar do radialista Luís Quirino.

Aos 20 anos foi contratado pela TV Rio (1956), primeiro como assessor comercial, passando por diversos cargos até chegar a diretor executivo, ficando na emissora por dez anos. Em 1965 foi convidado para assumir a direção executiva da TV Globo, com a finalidade de reestruturar a área comercial da jovem emissora e reformular a programação.

Walter Clark trouxe para a Globo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, com quem Clark havia trabalhado na TV Rio. Relação harmoniosa, no princípio, a dupla estabeleceu um jornal (o Jornal Nacional) entre duas novelas, um sucesso na grade da emissora, contando também com o trabalho de Armando Nogueira, um dos mentores do telejornal até hoje no ar.

Sob sua administração e com a parceria com Boni, outros sucessos da emissora foram criados, tais como o “Fantástico”, “Globo Repórter” e “Globo de Ouro”, este último na esteira do “Festival Internacional da Canção”, que teve sua primeira edição em 1967. O nome de Walter Clark ficou tão forte na Globo que chegou a superar até o de Roberto Marinho, o que acabou tornando o relacionamento entre os dois conflituoso.

A saída de Clark da Globo aconteceu em 1977. Depois da marcante passagem pela emissora, atuou como produtor de cinema, em filmes que tiveram boa repercussão, como “A Estrela Sobe”, “Bye Bye Brasil” e “Eu Te Amo”, entre outros. Em 1981 foi diretor-geral da Rede Bandeirantes, permanecendo na emissora paulista do Morumbi apenas por um ano. Voltou à TV Rio em 1988 e escreveu sua autobiografia com o jornalista Gabriel Priolli, intitulada “O Campeão de Audiência”, publicada em 1991.

Foi também vice-presidente do Flamengo e presidente da Fundação Roquete Pinto, entre 1991 e 1992. Morreu em seu apartamento no Rio de Janeiro, em 24 de março de 1997, aos 63 anos, vítima de insuficiência cardíaca e respiratória.

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A AUDIÊNCIA DA TELEVISÃO E O ATUAL MÉTODO DE AFERIÇÃO.

Tem sido cada vez mais comum a veiculação de notícias com a manchete “pior audiência da história”, como forma de atrair a atenção do espectador. Notícias do tipo se baseiam em números de meses, anos e atrações anteriores, fazem contas simples, não levando em conta o cenário atual do que um determinado programa ou a programação em geral da emissora vivem. Não estão erradas de todo, mas estão incompletas ao determinar o sucesso ou fracasso de um produto apenas com os números do Ibope.

Além dos números, o que manterá um programa por mais tempo no ar ou se sofrerá alterações ao longo de sua exibição são fatores que envolvem a pesquisa com os telespectadores, retorno publicitário e claro, repercussão da atração.

Você sabe como é medida a audiência na televisão?

Relatório de Audiência Minuto a Minuto.

Relatório de Audiência Minuto a Minuto.

No Brasil, o Instituto Brasileiro de Pesquisa de Opinião e Estatística – Ibope – virou sinônimo de audiência. Ele não é um contratado das emissoras para realizar a pesquisa, mas sim o contrário: são as emissoras de televisão e as agências de publicidade contratam o instituto para ter os dados da pesquisa.

A audiência do canal é medida através de um cálculo que engloba quantidade de televisores existentes numa região e números de televisores ligados num determinado horário ou atração. Além destes fatores, soma-se ainda perfil socioeconômico e a quantidade de habitantes de uma determinada região. Para chegar nesse resultado, o Ibope monta um cenário baseado no último censo divulgado pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – que revela o perfil dos brasileiros de acordo com raça, escolaridade, perfil econômico e claro, a quantidade de televisores existentes.

Além das informações do IBGE, o Ibope realiza um espécie de “mini censo”, entrevistando a população do local e a classificando para possíveis pesquisas. Após o mapeamento da região, o instituto convida determinadas pessoas para participar da medição de audiência, instalando em suas residências um aparelho chamado peoplemeter que é instalado junto ao receptor de TV. Através desse aparelho é possível identificar o telespectador, quantidade de pessoas que estão assistindo à televisão e claro, identificar o canal/atração assistida num determinado momento.

Atualmente, o instituto realiza pesquisas nas cidades e regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, Campinas, Vitória, Goiânia, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém e Distrito Federal. Nas praças de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte está disponível à medição minuto à minuto, que monitora o comportamento do espectador e envia à informação ao instituto em tempo real. Nas demais, o Ibope realiza a pesquisa de audiência consolidada por atração/faixa de horário.

Após os dados consolidados, a divulgação da audiência é dada na representação de pontos. Cada ponto equivale a uma determinada quantidade de aparelhos e de pessoais representativos na região pesquisada, como por exemplo, em São Paulo, 1 ponto no Ibope equivale aproximadamente a 65 mil domicílios com televisão; no Rio de Janeiro 1 ponto de audiência representa 39 mil residências e se estivermos falando de audiência nacional, esse ponto vale para 204 mil domicílios com aparelhos de TV. O ponto no ibope também pode representar o número de pessoas assistindo televisão, o que corresponde a aproximadamente 193 mil (SP), 109 mil (RJ) e 641 mil (Nacional). Esses números foram reajustados no início de 2014, representando em média um aumento de 5% à representação anterior.

Outras formas de ver TV.

Assistir TV no automóvel ficou mais fácil com a TV Digital.

Assistir TV no automóvel ficou mais fácil com a TV Digital.

Embora a imprensa venha divulgado uma fuga dos telespectadores da televisão, o que tem se visto é justamente o contrário: um aumento de espectadores frente à TV. O comportamento dos telespectadores é que o torna diferente se comparado ao de 10, 20, 30, 40 anos atrás. Além do aumento do número de canais disponíveis seja na frequência de VHF ou de UHF, a popularização da televisão por assinatura, o videogame, o computador, a internet, o vídeo sob demanda (Netflix, Now,) entre outros recursos capazes de retirar a atenção por completo ou parcialmente do espectador.

Soma-se a esse fator a mudança do hábito do brasileiro, principalmente nas médias e grandes cidades (onde a audiência é medida). Chega-se mais tarde em casa, seja por conta do trabalho, de estudo, por diversão e também pelo trânsito. Os dias ficaram maiores e a rotina das pessoas foi alterada do antigo horário comercial.

O espectador não está mais refém do horário da programação, podendo ter acesso ao seu programa preferido na hora em que quiser (ou puder) assistir. O conhecido e velho VHS deu lugar ao gravador de DVD e mais recentemente aos DVR (aparelhos que gravam vídeos sem necessidade de uma mídia física), disponíveis nos aparelhos de televisão por assinatura, receptores de TV e em conversores de televisão digital.

O programa também está disponível através da internet através do Youtube, portal de vídeos criado pela própria emissora, ou de videostraming oficial ou pirata, permitindo o acesso a uma determinada atração de qualquer lugar do mundo.

A implantação da TV digital no Brasil trouxe o recurso da mobilidade. Agora é possível assistir TV através da tela de um telefone celular, GPS, DVD para automóveis ou qualquer dispositivo capaz de receber o sinal da televisão, esteja você parado ou em movimento.

Todos esses recursos embora não sejam medidos/computados na audiência tradicional já são uma alternativa cada vez mais procurada pelos telespectadores. Essas alterações de hábito de assistir TV, não alteram (ainda) a maneira como um programa é desenvolvido, mas abrem possibilidade de negócio e exploração de outras janelas além da tradicional televisão.

Segunda Tela: TV + Celular/Computador

Segunda Tela: TV + Celular/Computador

Por falar em janelas, a segunda tela, termo como é conhecido o habito de assistir televisão concomitantemente com outros dispositivos (celular, tablet, computador, netbook, notebook) é outro fator que deve ser considerável para o sucesso ou o fracasso de um programa. O espectador, utilizando qualquer um dos dispositivos, somado à internet e às redes sociais, tem acesso a um debate em tempo real com amigos ou desconhecidos que apenas compartilham um interesse comum. A segunda tela permite ainda pautar a programação mediante a repercussão (ou a falta dele) de um determinando programa ou comentário que ele tenha gerado através do Twitter, Facebook, por exemplo. A pesquisa ou busca por um conteúdo adicional originado por um programa também é outro ponto que deve ser medido e porque não dizer incentivado pelos canais.

Além dos pontos.

Falar que a atual medição é ultrapassada é outro exagero e sem grandes fundamentos. É comum vermos executivos de emissoras, jornalistas e até mesmo artistas atacando ora o instituto de pesquisa ora a consolidação da audiência divulgada. O curioso é perecer que esses mesmos executivos, jornalistas ou artistas, quando estão numa posição confortável com os números utilizam esses dados a seus favor, promovendo-se em relação ao concorrente, ou utilizando para dar um upgrade no valor de seu intervalo comercial.

O Ibope é importante sim, porém sozinho não “faz verão”. O novo hábito do brasileiro criou novas oportunidades de assistir televisão impensáveis nas décadas anteriores. O programa que antes dava 60 pontos de audiência, hoje dá 30, porém atinge um universo populacional bem maior ao anterior. Afinal de contas o 1 ponto de hoje não é o mesmo ponto de 10, 20, 30 anos atrás.

A televisão aberta enfrenta concorrência com outras tvs (abertas e pagas), com outros aparelhos tecnológicos, com o shopping center, o rádio, o jornal, o barzinho, a balada e com o trânsito na volta pra casa. O aumento dessa concorrência não significa que a televisão aberta perdeu a significância e a importância na vida das pessoas, muito pelo contrário. Ela continua ditando moda, assunto, criando tendência e servindo de repercussão tanto online e na vida real. Os executivos das emissoras e as agências de publicidade já olham para os pontos do Ibope com outros olhos e até mesmo o próprio instituto já busca uma atualização dessa informação.

DIB-6

DIB-6

Recentemente o instituto lançou uma nova versão de seu peoplemeter, conhecido como DIB-6, uma versão evoluída do DIB-4, aparelho capaz de registrar os canais digitais (abertos ou fechados), programas gravados, conteúdos assistidos pela internet ou através de outros dispositivos que não sejam a televisão. O DIB-6 reconhece automaticamente os programas por meio de um sistema inteligente de fingerprints (impressores digitais únicas), que cria assinaturas de áudio no conteúdo exibido, permitindo a identificação em tempo real do que os espectadores estão assistindo, seja na transmissão pela tv, em conteúdos gravados ou por demanda.

Fernando Dibb

* O texto foi produzido e publicado para o TeleDossiê em 11/06/2014

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TV E MÍDIAS SOCIAIS: DO INÍCIO AO FIM

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MTV BRASIL: A GRINGA BRASILEIRA (Parte 3)

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Fases da MTV

Ao longo de 23 anos de programação, a MTV Brasil criou e seguiu tendências, buscou maior aproximação junto ao seu público, experimentou formatos, errou e construiu um grande capítulo na história da televisão brasileira. As fases abaixo, embora não sejam oficiais traçam bem o perfil da emissora durante seu período na TV aberta.

>>> 1ª Fase (1990/1995)

mtv1Marcada pela novidade, descoberta e experimentação. A música internacional reinava absoluta. O pop, o rock e o grunge lideravam a programação. O canal investia na produção de alguns videoclipes nacionais, como forma de “alavancar” a produção brasileira. Seu maior desafio nesse período foi encontrar uma linguagem própria, capaz de criar identificação. É o período mais musical da emissora.

>>> 2ª Fase (1995/1999)

vmb 95Após cinco anos, a MTV já estava estabelecida e expandia sua cobertura no território nacional, principalmente com o crescimento da televisão por assinatura. A experimentação dos formatos era constante. Em 1995 é criada a primeira edição do Vídeo Music Awards Brasil, posteriormente chamado de VMB (Vídeo Music Brasil). Período marcado por maior aproximação da MTV e das gravadoras nacionais. Marisa Monte (que fez o primeiro clipe com superprodução no Brasil), Paralamas do SucessoSkank e  Raimundos apareciam com frequência no canal.

barracomtvÉ neste período, mais precisamente em 1996 que entram no ar o Mochilão MTV (1996/2006), um programa de viagens apresentado por Chris Nicklas e Gastão e o audacioso Barraco MTV (1996/2000), programa de debates apresentado por Astrid. O programa tinha por objetivo levar ao jovem discussão sobre temas relevantes. Essa fase também é marcada pela migração de programais mais segmentados para a faixa da madrugada e demonstra uma preocupação do canal em ser “mais que musical”.

>>> 3ª Fase (1999/2005)

edgard_supernovaA programação deixa de estritamente musical e passa investir em outros formatos. É o período pela troca da maioria dos VJ que fundaram a emissora, além de trocas na administração do canal. A MTV  passa por uma reformulação gráfica e lança o Supernova (1999/2002), programa sobre clipes e novidades do universo musical que marcavam a nova fase do canal. O Brasil vivia uma fase bem popular na sua televisão em que Gugu e Ratinho eram fenômenos de audiência.

eroticamtvPor uma breve momento houve exibição de videoclipes das bandas de axé e pagode. A linha musical, cara da MTV nos primeiros anos, vai migrando para a madrugada e em seu lugar foram estreando Erótica MTV (1999/2001), um programa que falava sobre sexo de forma descontraída, apresentado por Babi Xavier e Jairo Bauer, Piores Clipes do Mundo que debochava dos videoclipes apresentados na casa com Marina Person (1999) e Marcos Mion (2000/2002), Fica Comigo na fórmula repaginada do bom e velho namoro na TV apresentado por Fernanda Lima (2000/2003); Hermes & Renato (1999/2009), programa de humor a partir de esquetes de baixo orçamento, além da estreia do primeiro reality show brasileiro, 20 Poucos Anos (2000) que mostrava o cotidiano de jovens de diferentes grupos e classes sociais entre 19 e 26 anos. Em 2001 a MTV lança a Revista MTV com tiragem mensal de 120 mil exemplares que foi descontinuada em 2007.

A campanha “Desligue a Televisão e vá ler um livro” marcou a MTV em 2004. Durante 15 minutos no período da tarde a emissora “saía do ar” com um slide incentivando a leitura. Segundo informações do IBOPE na época, 1.259.491 pessoas assistiram à vinheta entre 1.º e 8 de novembro, quando entrou no ar a segunda fase da campanha. Cerca de 8% desse total (100.346) desligaram a TV – não mudaram de canal, e sim desligaram, segundo o Ibope. Considerando apenas o público-alvo do canal (classes A/B, entre 15 e 29 anos), essa porcentagem aumenta para 14%, ou seja, das 289.819 pessoas neste perfil, 41.586 desligaram o aparelho.

>>> 4ª fase (2005/2010)

mtvoverdrive5A MTV fortalece os programas de comportamento e os videoclipes ficaram restritos à madrugada. O DiskMTV, carro chefe da casa é extinto em 2006, ano de criação do MTV Overdrive, uma plataforma semelhante ao Youtube destinada a exibição de videoclipes, bastidores da emissora e programas exclusivos. O serviço foi descontinuado em 2008. Era o período de popularização do mp3, dos programas de compartilhamento de músicas pela internet, da queda do faturamento das gravadoras e uma discussão sobre o modelo de negócios. A televisão por assinatura expandia seu sinais e a banda larga (mesmo que com 1mega) começava a ser uma realidade nas casas brasileiras.

pontopeFoi o período das estreias de Ponto Pe (2006/2007), apresentado por Penélope que se tornava uma conselheira sexual dos espectadores, Beija Sapo (2005/2007), programa de namoro apresentado por Daniela Cicarelli que substituiu o Fica Comigo. O humor se firmava como uma tendência na programação da MTV, tendo o Furo MTV (2009/2013), uma espécie de telejornal que comentava de forma ácida os acontecimentos da semana, o maior sucesso da grade.

>>> 5ª fase (2010/2013)

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Embora considerada a sétima rede de televisão brasileira e a primeira emissora segmentada do país, o canal apresentava queda de faturamento desde o final de 2009. O Grupo Abril, seu proprietário também passou por ajustes financeiros iniciados em 2000 com relativo sucesso, porém resultando na venda e descontinuidade de algumas de suas empresas. A partir de 2012 as notícias veiculadas sobre a situação financeira MTV eram recorrentes, bem como a possível venda do canal para grupos internacionais e claro, igrejas evangélicas. Na programação do canal a comédia era o formato apresentado de 1 em cada 5 programas da emissora. A figura do VJ, tão popular nos seus 20 primeiros anos dava lugar para os comediantes, sendo Marcelo AdnetDani CalabresaBento Ribeiro e Tatá Werneck os maiores representantes desta geração. Em 2013, mesmo com uma política de redução de gastos permanecia com as contas no vermelho. O Grupo Abril decide devolver a marca MTV à Viacom e inicia uma série de demissões e cancelamentos de programas.

Despedida.

Uma série de reprises e programas especiais sobre os 23 anos do canal são produzidos e veiculados até setembro, mês que encerra o contrato da matriz americana e o grupo brasileiro. Os últimos momentos do canal formam uma viagem no tempo e uma sessão nostálgica de tudo o que aconteceu por lá. O videoclipe voltou a fazer parte da emissora com a apresentação do DiskMTV e seus TopP10 escolhidos pelas antigas VJ do programa. Pode-se ver o que foi bom e o que foi ruim no canal. O público na faixa dos 40 anos, dos 30 e dos 20 anos pôde relembrar ou conhecer a programação que passou no canal nos 23 anos.  Também conferiu de camarote a ultima transmissão ao vivo, uma grande festa dentro das dependências da TV com 6 horas de duração. Também apresentou um programa com direito a um passeio pela sede do canal e uma discussão sobre o passado, presente e o futuro dos meios de comunicação. Como encerramento houve uma volta ao passado, Cuca Lazarotto, que anunciou Garota de Ipanema de Mariana Lima o primeiro videoclipe do canal, agora apresentava o “último videoclipe”: Maracatu Atômico de Chico Sciente & Nação Zumbi. Na sequencia, Astrid, a VJ que deu boas vindas e anunciava que a MTV Brasil estava no ar em 1990 encerra o clico da “Velha MTV” e dando boas vindas a “nova MTV” que começaria a partir do dia 1º de Outubro na televisão fechada.

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MTV BRASIL: A GRINGA BRASILEIRA (Parte 2)

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Criando Identidade!

MTV UHFCom 14 horas diárias de programação, o conteúdo da MTV Brasil, em seu primeiro ano de estreia, era composto por 25% de produção própria e 75% importado da matriz americana. A maioria dos 150 videoclipes exibidos diariamente era estrangeira, não só pela diretriz da Viacom, mas também pela escassez de videoclipes nacionais.

A emissora surge numa era analógica, num país recém democratizado, após 25 anos de censura e controle do conteúdo meios de comunicação de massa. Pela primeira vez, embora já existissem experiências com alguns programas de TV e as emissoras de rádio FM, o jovem teria um espaço, uma programação e conteúdo e anunciantes exclusivamente voltados para o seu segmento.

Gastao MTVQuando a MTV entrou no ar, ela estava num campo total de experimentação. Esse laboratório de linguagem é que foi o grande diferencial do canal. Ela era livre, independente e não estava atrelada a uma grande estrutura ou formato, embora ela fosse uma franquia americana.

A MTV falava diretamente por e para o jovem. A música era esse objeto de identificação e de aproximação do público, porém ela não era despejada simplesmente como uma enorme playlist na programação. Existia uma preocupação de informar bem o jovem sobre o som que ele estava escutando. Sua estética visual também era muito diferente, principalmente se comparada aos outros canais abertos.

A importância do videoclipe para a música foi à criação de uma identidade com seus ouvintes/fãs. Quem escutava a música, também poderia acompanhar como seu artista favorito se vestia, penteava, se comportava. O videoclipe possibilitou a divulgação de um estilo de vida, de uma cultura, de uma mensagem passada além das letras e dos acordes.

zecaA entrada da MTV no Brasil foi tão importante para o músico quanto o lançamento de um disco. Seu surgimento no Brasil foi responsável por uma “libertação estética” dos videoclipes que na época, sofriam uma atrelagem estética, sujeita à aprovação dos programas e canais de televisão que eles seriam apresentados. A partir daquele momento o videoclipe era uma “livre expressão” de seus artistas e gravadoras.

Na direção da MTV passaram Fátima Ali, Jimmy Leroy, José Wilson Fonseca, Rogério Gallo, Titi Civita, Andre Mantovani, Marcelo Machado, Jorge Espírito Santo, Zico Goes, entre outros profissionais que tiveram em comum a constante busca do que se fazer na MTV. Tudo que existia até aquele momento sobre televisão não era MTV.

maria_paulaMTVEssa busca pelo novo, o experimento, os erros e acertos na estrutura da MTV não denegriram sua imagem, muito pelo contrário, acrescentaram, mas tornaram o canal escravo de si mesmo. Outro fator diferencial que a MTV Brasil, ao contrário de suas irmãs mundiais, era aberta e vez e outra sofria influência do modelo de negócio que estava inserida.

>>> continua.

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VEM AÍ… UMA NOVA GLOBO

GLOBO

Com a liberdade de citar o slogan que promoveu a programação 2013 da TV Globo, as atuais mudanças na estrutura da Rede Globo divulgadas esta semana, indicam uma simplificação no modelo organizacional, visando maior agilidade e controle das decisões e uma unificação na gestão de conteúdo, condensando em uma única esfera produtiva para as diversas plataformas do mercado.

 Carlos Henrique Schroder Essas alterações começaram logo no início do ano, quando Carlos Henrique Schroder assumiu a direção geral da casa. A nova estrutura está fundamentada em três pilares: Conteúdo, Negócios e Gestão. Para o telespectador, as mudanças mais significativas foram o aumento do jornalismo e da programação ao vivo dentro da grade da emissora, além de um forte investimento na produção de conteúdo voltados para a televisão aberta, fechada e internet.

Amauri Soares - TV GloboDe acordo com a nota divulgada à imprensa, as áreas de “Programação” e “Análise e Controle de Qualidade” serão fundidas e será chamada de “Direção de Programação e Controle de Qualidade”. Colocando num mesmo patamar duas das áreas emblemáticas da casa, responsáveis pelo sucesso da organização.  Tal unificação acaba por provocar uma reflexão sobre a indivisibilidade da qualidade de conteúdo e de sua programação, que anteriormente pareciam caminhar “separadas” dentro da estrutura. Luis Erlanger continuará responsável pela qualidade, porém a gestão geral será de Amauri Soares. Segundo comunicado enviado pela emissora, à mudança teve como objetivo assegurar que os princípios e valores da Globo estejam presentes de forma permanente em toda a grade de programação e em consonância com os aspectos regulatórios.

A direção geral de Negócios, comandada por Willy Haas, acumula a responsabilidade de ser o segundo na hierarquia e substituto do diretor-geral nas suas eventuais ausências, agrupará todas as áreas de geração de receitas numa gestão única e passa a administrar também as emissoras regionais de Brasília, Belo Horizonte e Recife, a área de Negócios Internacionais e a de Relacionamento com as Afiliadas.

Rossana Fontenele

A área de Planejamento e Gestão, sob a responsabilidade de Rosssana Fontenelle cuidará das áreas de gestão de pessoas, finanças, patrimônio, serviços, tecnologia, planejamento estratégico e mídias digitais, concentrando em um único braço áreas chaves da emissora responsáveis pela administração e funcionamento da organização.

Outro ponto interessante é a unificação do Entretenimento sob a gestão de Manoel Martins. A partir de agora não haverá distinção entre os produtos gerados pela rede de TV, os canais por assinatura (Globosat), a internet (Globo.com) e o cinema (Globo Filmes). Ampliando possibilidades para o desenvolvimento de talentos internos e parcerias, sob a chancela Globo de produção, focando cada vez mais o negócio no conteúdo e nos produtos e subprodutos gerados a partir desta unificação.

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Embora as mudanças tenham como fundamento a simplificação do processo decisório, bem como um maior controle das atividades, as recentes mudanças nas Organizações Globo mostram a preocupação delimitação ao conteúdo, não mais com o fortalecimento/expansão da rede e de seus negócios paralelos. Reafirmando sua vocação de maior produtor de conteúdo brasileiro, alterando em partes o modelo de negócio da organização. Apesar da rede de televisão aberta permanecer como o maior e mais produtivo negócio da organização, altera-se a lógica da cadeia estando à produção de conteúdo um grau acima na importância da instituição.

Estúdio TV Globo - Projac

Fernando Dibb

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MTV BRASIL: A GRINGA BRASILEIRA (Parte 1)

Com fim anunciado para o dia 30 de setembro de 2013, a MTV Brasil, do jeito que conhecemos hoje deixará de existir. O Grupo Abril, dono da concessão da emissora irá entregar a marca MTV à sua dona Viacom que por sua vez, estreará uma nova MTV, disponível apenas na TV por assinatura.

O BlogTelevisando preparou uma série de textos contando história dessa TV que serviu de laboratório de linguagem de televisão, contagiando em maior ou menor grau a propaganda, o cinema, o videoclipe e claro, outros canais de televisão.

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3,2,1 No Ar!

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Em 20 de Outubro de 1990, ao meio dia, o Grupo Abril, conglomerado paulista de mídia colocava no ar a versão brasileira da Music Television norte-americana. Com o patrocínio das empresas Brahma, Philips, Banco Bamerindus, Nestlé e Alpargatas estava inaugurada a primeira televisão segmentada do país, exclusivamente musical e voltada para jovens entre 12 e 35 anos.

Primeiro diferencial da MTV Brasil era que seus sinais, ao contrário das suas irmãs mundiais, estavam disponíveis na TV aberta, na frequência UHF (canal 32 da capital paulista), até então desconhecida da grande maioria da população. Além da MTV brasileira (1990) existiam MTV americana, fundada em 1981 e a MTV Europa que surgiu em 1987.

Astrid na primeira transmissão da MTV Brasil.

O que chamou a atenção logo na estreia foi sua linguagem visual, importada da matriz e inexistente na televisão aberta brasileira. Uma mistura de cores, cortes rápidos, imagens sobrepostas, colagens e o uso e abuso dos especiais para a televisão eram transmitidos o tempo todo, num ritmo frenético para o telespectador.

As primeiras imagens exibidas pela MTV Brasil foram uma de suas inúmeras vinhetas, uma cabeça com a Astrid Fontinelle dando às boas vindas ao espectador e anunciando a entrada no ar oficialmente da MTV Brasil e um videoclipe da versão de Garota de Ipanema feita por Marina Lima. O público carioca acompanhou a estreia da MTV pela TV Corcovado (Canal 9 VHF) de propriedade do Grupo Silvio Santos. Uma curiosidade da estreia é que houve falha na transmissão, obrigando a geradora carioca a colocar outro áudio no lugar. Enquanto o videoclipe de Marina Lima era exibido, no áudio poderia escutar a música “Wake of Life” do grupo Dire Straits.

A proposta original da MTV era apresentar música na forma de videoclipes, intercalados por “anfitriões” que ficaram conhecidos por vídeo-jockeys, os populares VJ’s. Eles seriam responsáveis por apresentar as músicas, comentar alguma curiosidade sobre a banda ou o vídeo e claro, ser identidade do canal e a ligação entre a emissora e o espectador.

VJs MTV 1990

Quatro meses antes da estreia a MTV abriu um concurso para seleção de seus apresentadores que em geral tinham pouca ou nenhuma experiência na televisão, a fim de evitar vícios ou a ligação da imagem do VJ’s a outro canal de televisão. Dos pioneiros de 1990 foram revelados Astrid Fontenelle, Cuca Lazzarotto, Daniela Barbiere, Gastão Moreira, Maria Paula, Rodrigo, Thunderbird e Zeca Camargo.

Reinavam absoluto o rock e o pop na programação da MTV, principalmente o internacional. O que era sucesso lá fora certamente seria exibido no canal brasileiro. A MTV Brasil passou a ditar regra no que era tocado nas rádios de todo o país. O grunge também estava presente além do hip-hop e o rap. Com o passar do tempo, além de Nirvana, Guns N’Roses, Madonna e Michael Jackson, bandas como Skank, Paralamas do Sucesso, Titãs, Capital Inicial, Raimundos entre outras viraram “sócios” da MTV.

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Embora fosse uma televisão segmentada, exclusivamente musical, dentro da grade da MTV existiam faixas e programas destinados a um determinado tipo de música, como por exemplo, o Fúria Metal dedicado ao heavy metal e hard hock, o YO! para o hip-hop e ao rap, o Lado B e o 121 para o cenário mais alternativo, além dos Dance MTV Beat MTV voltados para a música eletrônica e dance music.

 >>> Continua!

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